segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Pensar por imagens

O mundo contemporâneo está permeado por imagens e o ser humano comunica-se e tenta organizar-se por meio delas. Comunicar através de imagem significa muitas vezes possibilitar ao outro a visualização de fatos e permitir-lhe refletir a respeito do que vê . Longe de ser uma mera ilustração ou ornamento do verbal, a imagem instiga e estimula no indivíduo a capacidade de inter-relacionar assuntos de áreas diversas. Muitas das imagens possuem alta pregnância visual (a organização formal da imagem proporciona rapidez de leitura, compreensão e interpretação da mensagem) que permite ao leitor perceber a informação de maneira eficiente.
O pensar por imagem ativa no ser humano a capacidade crítica e desenvolve a habilidade de relacionar fatos. Penso que o estímulo à produção e leitura de imagens, seja nas escolas ou em cursos culturais pontuais, ajudaria e muito o desenvolvimento do senso crítico da população. Talvez seja por esse motivo que a força política brasileira invista tão pouco na formação imagética das pessoas. Salvo algumas exceções, no Brasil ainda há pouco investimento e pouca valorização dos cursos de produção de imagens. Quando há esse incentivo, há pouca verba e até mesmo descaso para com o bom andamento do curso, afinal cultura no Brasil ainda não proporciona votos.
O ato fotográfico, como produção de imagem técnica (produzida através de uma máquina) e inserido na cultura visual, faz com que o indivíduo por detrás da câmera construa um discurso próprio de como vê e interpreta o mundo que o rodeia. A fotografia, desta forma, é um meio de expressão significativo.
Atualmente, reconhecemos que a fotografia possui uma linguagem própria que explicita a criação de quem fotografa, o que significa dizer que fotografar é um ato de criar imagens com discursos que proporcionam reflexões. Nem sempre foi assim. Nos primórdios da fotografia, pela mesma ser produzida por uma máquina, o ato fotográfico era visto apenas como um procedimento técnico, sem um agente pensante e criativo (no caso a pessoa que compõe a cena – o fotógrafo) por detrás da câmera. Com o tempo, fotografar adquiriu o status de criação e, há algumas décadas, é reconhecida como uma ação que envolve pensamento elaborado em que a percepção e o repertório do fotógrafo são decisivos na composição e registro da imagem fotográfica.
Logo, se fotografar envolve criar, e no Brasil a criação é tão pouco valorizada, então talvez se justifique a falta de interesse dos governantes em incentivar os cursos de fotografia e produção de imagens – se o apoio de fato existisse, estariam estimulando 'o desenvolvimento de um ser pensante, reflexivo e conseqüentemente contestador. Ou talvez a problemática seja menos complexa: não há incentivo porque não há capacidade de entendimento e repertório cultural por parte dos políticos.
Por outro lado, há interesses pontuais da população em cursos culturais. Em experiências próprias, através das oficinas que ministro, pude detectar pessoas interessadas e com possibilidade criativa na área de produção de imagens. Pessoas que através das atividades propostas foram estimuladas a desenvolver a expressão artística individual e mesmo com a falta de apoio governamental produziram trabalhos significativos que explicitam o pensamento fotográfico. Porém, muitos talentos se perdem pela falta de incentivo e respaldo financeiro das autoridades. Essa é a infeliz sina de um país eternamente marcado pelos potenciais não realizados.

Por Patricia Kiss
Texto publicado no jornal Enfoque da cidade de Pontal em 5/08/09

3 comentários:

Charles Morphy disse...

Olá, Patricia.
Belo texto!
A questão é importante e merece mesmo reflexão. Temos todo tipo de analfabetismo possível, desde alunos analfabetos funcionais na universidade até um monte de gente (na academia e fora dela) que não consegue entender a importância do olhar na educação... é triste, mas é verdade.
Beijos

Carlos Barros disse...

Ola Patricia,

Prmeiro fiquei feliz que uma de minhas fotos mostra quem voce é na entrada do blog.

O Texto escrito e muito bom mas não temos ainda condições de aplicação na pratica.

Poucos tem condições de conhecer o mundo das artes.

Um beijo e um grande abraço a professora querida.

sourabh gupta disse...

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